quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


Não adianta falar de mim. Aliás, não adianta falar de nada.
Tudo hoje, parte do pressuposto de um conhecimento empírico.
Da mesma forma, a qual a intensidade e emoção das mais belas poesias de Shakespeare se perdem com um tradutor, eu, falar-me-ia em milhões de frases que depois de sua organização, não teriam valor algum.
Da mesma forma, em que as pessoas tentam inutilmente descrever sensações e sentimentos, momentos e paisagens que nunca, independente da mais avançada imaginação, conseguiram ser vista mentalmente em sua forma exata.
A isso eu daria o nome de impressão, ou seja, um “inconstante de mim”.

[...]

Mas não existe lei que impeça de informar-me como sou e imaginarem-me como queiram. Aliás, não existe lei que me impeça de nada.
Eu sou um ponto no R³. Um vetor, uma força.
Hoje eu sou o resultado do meu passado, a lapidação do tempo.
Uma jóia, um amigo, um frasco.
Eu sou principalmente o que não existo em forma concreta, uma essência.
Sou anos aplicação, anos de escalada, anos de família.
E não tanto quanto já fui eu sou anos de egoísmo, anos de queda, anos de dor.
Mas também sou anos de amor e em uma balança essas coisas se perdem.
E antes que as informações comecem a se perder, vale a pena e com consideração importante, ressaltar também o que eu não sou.
Eu não sou poeta, escrevo por que sinto, por que gosto.
Não sou fraco, sou humano.
Não triste, já fui. Estou mais serio, mas nada que torne impossível um sorriso.
Eu não sou uma moda, não sou uma constante e também dizem por ai que compreensão não é o meu forte.
Eu sou e não sou tanta coisa, que às vezes minhas idéias pairam no ar.

[E dão voltas. E voltas...]

A única coisa que não poderia faltar em mim, é um pedaço seu que carrego comigo.
Mas um pedaço daqueles a quem um dia eu chamei de amigo.
Por que uma vez eu aqui disse, “Eu sou o que me transformam”
E quanto a essa informação, eu NÃO volto atrás.

[E não volto.]

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