terça-feira, 29 de abril de 2008


E se as ruas fossem mais retornos, o passado não seria algo tão reservado e inacessível. As lembranças não residiriam em caixas nos lugares fora do campo de visão situados na parte escura do guarda-roupa. E seriam desnecessárias as cicatrizes, mostrando-nos que nosso passado foi algo real. E se o termo promessa não estivesse tão à prova do quesito “não cumprir”, poderiam ser descartadas invenções camadas contratos, assinaturas, documentos, chantagens e expressões inúteis do tipo “eu juro” ou “confie em mim”. E se as pessoas utilizassem mais de um artifício chamado perdão. Poderiam ser jogadas fora as armas, as balas, os retornos, as promessas. E mais que isso, seria desnecessários alguns tipos dos termos solidão, “agora não mais” e “desde aquele dia”. Talvez se algumas pessoas conhecessem um negócio chamado insistência, os erros apresentar-se-iam, de forma linear e cada vez menos, até que a física, matemática, química e o amor se renderiam aos princípios de querer algo com toda força de um pensamento.

Eu sei que esses recursos existem e são possíveis, mas, infelizmente todos eles exigem duas partes para serem postos em prática, precisam de dois lados para manter um equilíbrio. Não que eu queira reviver momentos finalizados e nem mesmo me refugiar no meu passado ou nas minhas lembranças, mas é que às vezes dói tanto imaginar que os meus erros ergueram barreiras, e que os meus defeitos foram infinitamente influentes. [Eu não sei explicar]

Na verdade, ninguém sabe explicar essa dependência de alguém, essa fome de domínio, nem mesmo todo esse processo de perda e aprendizagem que se passa em tempo real e constante. [E se passa aqui]

Contudo, eu vou adiante. Minhas memórias em uma caixa, seu cheiro em um dos meus livros. Peguei um atalho onde as ruas são sempre retas apertadas, do tipo impossível de fazer curva, de retornar. Ruas assim me evitam um recurso chamado promessa, até mesmo por que eu não posso mais voltar. O perdão fica ao seu critério, mas, essas ruas ficaram repletas de placas, por que eu vou insistir até o fim no que eu quero, afinal, quem sabe por qual rua percorrerá amanha?

Ontem um palácio...

4 comentários:

.tai. disse...

adorei o texto
=D
nunca mais a gente conversou direito
:P
bju
fica com Deus

Alessandra Castro disse...

Lindo lindo texto. Tocante é a palavra exata para descreve-lo. =*

Jurandy Boa Morte disse...

GOSTEI DO BLOG E DOS TEXTOS!

Renatinha disse...

=]
Que bonito.


Então... eu peguei o template completo em um site, só add a figura no topo! :)