quinta-feira, 3 de abril de 2008


A graça de viver é mais ou menos isso: Poder se confundir.
Há quem confunda verde e vermelho.
Também quem se perturba entre solidão e amor.
Há quem não saiba distinguir dores e calores.
Até mesmo quem, não olha pra seu ninguém, e se confunde consigo mesmo.
Existem aqueles que fazem do ponto de ônibus um psicanalista.
Que fazem do outro um escravo, que faz do homem um macaco e da vida um circo.
Há quem acredite em ET’s, quem não pensa em vencer e quem não queira sorrir.
Sem esquecer ainda, dos que condenam a loucura e dispensam as táticas.
Dos que vivem em fardas e banalizam as tardes.
Dos que por ai só procuram um assento e correm do caos,
Os que moram nas nuvens e melam as mãos,
Os que lambem o prato e maltratam o gato.
Existem também os que não querem se livrar disso,
Aqueles que sentam na janela com um bom livro.
Fulanos e sicranos,
Sem banir os ciganos!
Que estão sempre se confundindo.
Pois bem,
Permitir essa capacidade é permutar entre o serio e o fantástico.
Não é errar, é se confundir.
É poder se desculpar, falar e depois sorrir.
A confusão é um equívoco, a vida é outro.
Essa habilidade de embaralhar as peças é algo mágico.
Ninguém está a salvo em casa, ninguém está sozinho na rua.
Ninguém está livre disso.
Por mais esperto que seja não há aquele que não tenha se confundido.

Hoje comigo aconteceu algo real. E isso me desestrutura, pois alguns ensinamentos dispensam quedas extragrandes e alguns ignorantes não dispensam grandes quedas para aprender... Acredito-me bem maior do que sou, olho-me bem mais longe do que alcanço e fascino-me demais comigo.
[ Talvez seja esse o meu erro ]
Pensar que, sozinho em mim, existe um esquema de “auto-sustentação”
Que vou conseguir sem trabalho,
Que vou erguer-me sem planos.
Se a graça de viver está na confusão: Tudo o que eu faço hoje chama-se ERRO.

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