sábado, 20 de dezembro de 2008






Petrolina, 16 de novembro de 2008.

Caro Senhor Amor, como já é sabido não tivemos uma boa apresentação. Não por termos sido mal apresentados, isso não. Mas o fato de a primeira vista ter causado uma “leve” má impressão me dá a sensação de vazio. Não o culpo por nada disso (serio mesmo), acredito que andei lendo e criando expectativas demais sobre vossa companhia. Livros, poemas, pessoas. Li de tudo e nunca pensei, de fato, que a criatividade humana pudesse descrever irrealidade sobre ‘o completo do ser’, o ‘feliz para sempre’, ‘na saúde e na doença’, essas coisas. Mas o propósito de tal relato é outro não convém falar disso, ao menos não aqui, não agora.
Escrevo mais para aliviar o peso de não tê-lo trazido da maneira correta, ou tê-lo julgado de forma erronia, não sei. O que para todos parecia simples, para mim não.
Tê-lo por perto me exige cautela, mais cautela que liberdade como acontece com todos os outros. Eles absorvem o seu melhor. Eles aprendem contigo. Eles, eles, eles...
Menos eu.
Eu não quero uma explicação, um manual, uma resposta. Eu prefiro descobrir e surpreender o problema sozinho para conhecê-lo como ele a si próprio; Não encare mal à definição problema, mas em síntese de contexto e nos arredores do meu vocabulário, outro termo não se encaixaria tão perfeitamente quanto esse: Problema.
[...]
A parte que requer apenas superficialidade, eu a conheço como qualquer outro. Isso poderia até ser levado em consideração, entretanto não é. Não por eu conhecê-la. Mas por ser fato simples a outro qualquer. E quanto aos parâmetros que tangem profundidade, eu os desconheço, eles também. Adaptar-me a isso é o que eu não consigo fazer. Mas eles fazem. Tranquilamente, perfeitamente.
Antes que, além de problema o confunda com analista, palhaço, médico, fotógrafo, paraíso, palácio, ridículo, pacato, mórbido, sensato, amor... Antes que o perca de vista, no mar, na praia, em mim.
Antes que eu mesmo me perca.
Ou que você me distraia,
Eu queria que saísse.
Eu só peço que saia.
Saia daqui, saia agora.
Acompanhe ela para outra hora, outra vida, outro eu.
Um eu para ela, só dela.
Sei que terá de levar toda a leveza e graça que outrora me tornaram maior, não me importo. Apenas peço desculpas e que em seguida saia. Ela precisará mais. De mais felicidade, mais carinho, mais presença, mais tempo, mais você, mais ‘eles’.
Pode parecer um pouco revoltado, mas dando-lhe a culpa que o cabe, deve-se a você o fato de desejar o bem maior pra ela, o melhor dela, a felicidade dela.
Agora como entender que só esteve em minha companhia e não (também) na dela?!?
Talvez outros senhores e senhoras de mesmo gênero que o vosso possam me acompanhar em uma conversa que exigem dois, apenas dois. Talvez Senhora Tristeza e eu, ou Senhor Paciência e eu, ou Senhora Saudade e eu... O que posso afirmar é que Tristeza sentara-se ali, na outra sala e me espera. Se bem me conheço, nosso assunto acabará amanha ou depois, ao entardecer provavelmente. Paciência se vier, nos despediremos logo. Não tenho motivos para esperar que o tempo me alcance.
De certeza, se andar por aqui aquela velha senhora de rosto bonito, marcado e simples, sentar-se-á comigo ali fora, em uma cadeira de balanço, onde todos os meus sonhos se pousam. Saudade ficará comigo. Sem falar. Na pausa. E sentirei ao olhá-la, que toda sua experiência jamais baterá em minha porta. Um borrão, um machado. Cinco frases presas num calabouço fechado. Metade de mim que partira.
Resumindo-me, acompanhe-a.
Que não pareça desfeita,
Mas particularmente, para agradar a mim: preciso MAIS da felicidade dela.



Sinceramente,
Maelson Dias dos Santos Júnior


Um comentário:

duas disse...

putaquepariumermão!
é só o que me vem a mente depois de ler essa obra-maestra.
sinceramente, se eu escrevesse metade do que você escreve, não me preocuparia muito com a levianiedade do amor.
ah, o amor.
e sim, eu te amo, honey.