domingo, 15 de março de 2009


Quase sempre repito isso, um afeto de escrever-me a cada ciclo de estações que passaram. Os tratos desfeitos, o conhecimento, o samba, a calma... Dessa vez, biografo-me de forma desorganizada, com o único intuito de somar, sobre dezenove acontecimentos que deveriam contar...


[ 1 ] Eu chorei muito, pelo que minha mãe conta. Eu a amava, eu a amo e continuarei a amar pra sempre (esta deve ser a explicação). Mas o fato de eu não gostar de estar com todas as outras pessoas pode também ser contado como um bom motivo. Segundo familiares, eu fui o bebê mais chato para se cuidar de todos os outros da família e redondeza.


[ 2 ] Eu já tentei matar uma professora na segunda série e isto pode ser explicado pelo tópico “1” (se eu também não gostasse de estudar, claro). E sobre essa época o acontecimento que importa de fato, não é este. Dessa época e por conta disto, eu tenho comigo minha melhor lembrança: Lila. Uma das maiores alegrias que possuo.


[ 3 ] Uma pisa. De todas as coisas ruins que poderiam ter me dado, essa talvez tenha sido uma das melhores. Eu não mentiria dizendo que não doeu (até porque doeu muito), mas, a dor psicológica causada doeu mais. Um short jeans, um cinto, minha mãe e eu. Depois eu sem short, vermelho, ardido e triste, é tudo o que eu consigo lembrar.


[ 4 ] Hospital, radiografia. São as lembranças ruins que me doem até hoje, literalmente falando.


[5] Meu gênio forte, minha melhor herança. A certeza de não ser vulnerável ao meio, ser decidido, idiossincrático.


[ 6 ] A família. Certa vez eu a desestruturei-a numa prova do colégio (na mesma época da tentativa de assassinato da professora, segunda série). Eu estava com tanta raiva do colégio, que escrevi que minha família era um erro (Acredito que esse seja o máximo que um garoto de 7 anos pode se aproximar de um tumulto ). Enfim, de certeza, essa afirmação será o maior engano de minha vida.


[ 7 ] O querer, para quem tem gênio forte, é ter imediato. E o não ter, para a mesma caracteriza, é frustração.


[ 8 ] Desapego; Não que seja uma característica legal, mas ter como um fluido tudo aquilo o que meu impregnado egoísmo levou anos para acumular, foi talvez, o meu maior feito como pessoa.


[ 9 ] Livros, esta maneira tão fácil de tocar uma idéia, expandir uma mente, tornar-se parte.


[ 10 ] Minha mãe. De tudo o que existe, o que eu tenho ou que eu posso vir a ter. De todas as pessoas, fatos, livros, sonhos. Nenhum, por mais importante que seja, chegaria aos pés do que minha mãe representa. Eu a amo.


[ 11 ] O amor é, de fato, minha parte mais fraca, retrógrada e repetida (sempre).


[ 12 ] Yana, que em minha vida é um tópico à parte. Moldara-me em tantos pontos, que se caso eu tentasse mostrar, esqueceria meio milhão deles. Doce. Séria. Única. Apta. Sincera. Serena. Calma. Dócil. Viva. Feliz. Linda. Todas as qualidades em uma só mulher. A adulta mais jovem que eu conheci.


[ 13 ] Escalada, a maneira mais divertida de se ter uma religião, uma filosofia. Outra maneira de me conhecer, de olhar a natureza, as pessoas. O que mais me mudou, moldou, tornou. Um campo de bons amigos, bons exemplos, boas ações. E de todas as coisas que eu me recordo agora, NENHUMA, é tão viva em mim.


[ 14 ] As pessoas. Laíla, Lila, Yana, Reny, Juli, Gabi, Zezero, Nielson, Pim, Rommel, Cleiciany, Nayra, Paloma, Pâmela, Adhê, Danilo, Samires, Tai, Nandinha, Ramona, Taís, Ramessa, Josemar, Joisy, Adriana, Cleidiane, Ziguh, Fernandinha, Quelle, Plínio, Fernanda, ítalo, Peu, Raffael, Gah, Sara, Dani, Ruana, Caio, Kreuh, Dlouglax, Jan, Mel, Zani, Nyegirton, Meire, Carlinha ... Não nessa ordem, nem só essas pessoas.


[ 15 ] 2007, um ano importante. Ao menos, que eu me lembre, foi o único que eu via o sol nascer durante a manha toda.


[ 16 ] Cozinhar e comer, ô trem bão.


[ 17 ] A faculdade, que não merecia um tópico e sim, um belo riso.


[ 18 ] Kamilla, antes tarde do que mais tarde. Dezessete anos para poder enfim dissolver-nos em um. Um sentimento, um afeto, um desejo, um sonho, um amor.


[ 19 ] As letras, minha nova calma.


Algumas coisas, fatos e pessoas que me auxiliam a ser o que sou.





Maelson,

09-03-2009

19 anos.


3 comentários:

duas disse...

e, agora, VOCÊ TEM UM IPOD!
só você consegue se descrever tão completamente, e simultaneamente completamente vago.

Anônimo disse...

caramba.. tinha tempo q naum lia um blog tao bem escrito assim.. parabens! tu manda muito com as palavras..

.. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.