quarta-feira, 20 de maio de 2009



Quanto mais tempo se passa, mais forte eu sinto isso.

Esse estrangeirismo de mim mesmo.

Muito olhar e pouco tato.

Poucos fatos, nenhum amor.

Deve haver um porto para que eu encoste meu universo e alguém habite.

Um lugar pra eu me desligar depois.

De qualquer atrito ou qualquer contrato.

Talvez exista uma maneira dócil e menos notável de eu praticar o meu autismo, uma forma de estar mais incompletamente atraído, envolvido, distraído, calado.

Quase sempre é assim, quando eu vejo tudo preso por um imenso laço.

[vermelho.]

O início eu gosto.

O depois, não.

Todas essas histórias organizadas, semicerradas e limitadas a um nó curto entre mim e você... Dá-me uma angustia (às vezes). Medo que algo nos recorte.

Separe-nos.

Mostre-nos.

Tanta coisa.

Eu acabo confundindo o certo e traindo a mim mesmo, outra vez, de novo, de novo...

E vai-se o medo do qualquer que seja venha desfazer meu laço,

Por que confuso, eu mesmo desfaço.

Outra vez desabo.

Outra vez contorno.

A beira de mim mesmo

Abandonando outro porto

E devolvo-me a mim.

Decreto um feriado.

E me torno estrangeiro;

[outra vez]

2 comentários:

Unknown disse...

"uma fagulha tão só na idade do céu"

Bruna disse...

Simplismente sou apaixonada por seus textos, trechos, frases ou apenas palavras que sempre dizem o que eu queria dizer.
e sem ao mesmo conhecer, parece que já te conheço a séculos ..