Quanto mais tempo se passa, mais forte eu sinto isso.
Esse estrangeirismo de mim mesmo.
Muito olhar e pouco tato.
Poucos fatos, nenhum amor.
Deve haver um porto para que eu encoste meu universo e alguém habite.
Um lugar pra eu me desligar depois.
De qualquer atrito ou qualquer contrato.
Talvez exista uma maneira dócil e menos notável de eu praticar o meu autismo, uma forma de estar mais incompletamente atraído, envolvido, distraído, calado.
Quase sempre é assim, quando eu vejo tudo preso por um imenso laço.
[vermelho.]
O início eu gosto.
O depois, não.
Todas essas histórias organizadas, semicerradas e limitadas a um nó curto entre mim e você... Dá-me uma angustia (às vezes). Medo que algo nos recorte.
Separe-nos.
Mostre-nos.
Tanta coisa.
Eu acabo confundindo o certo e traindo a mim mesmo, outra vez, de novo, de novo...
E vai-se o medo do qualquer que seja venha desfazer meu laço,
Por que confuso, eu mesmo desfaço.
Outra vez desabo.
Outra vez contorno.
A beira de mim mesmo
Abandonando outro porto
E devolvo-me a mim.
Decreto um feriado.
E me torno estrangeiro;
[outra vez]
2 comentários:
"uma fagulha tão só na idade do céu"
Simplismente sou apaixonada por seus textos, trechos, frases ou apenas palavras que sempre dizem o que eu queria dizer.
e sem ao mesmo conhecer, parece que já te conheço a séculos ..
Postar um comentário