quinta-feira, 18 de junho de 2009

Petrolina, 10 de junho de 2009.

Não existe um manual da boa vida, das relações, dos amigos. Nem inventaram os dez mandamentos para sermos perfeitos, as doze regras da maturidade, a receita do sucesso, o passo a passo da convivência. Desconheço o ponto final do rancor e quando deve acabar o medo. Procuro as respostas para os “porquês”, assim como os motivos dos “porque não!”, então forjo um “talvez” e acabo num “quase”. Às vezes é tão justo não sabermos de nada e poder minimizar as obrigações, o trabalho, o contrato, o atrito... Mas quase sempre, é extremamente injusto não sabermos. Se eu conhecesse o dono de tudo isso, eu certamente perguntaria por que ele brinca dessa forma? Encontros, desencontros, mistérios. Você deve entender quando eu falo sobre encontrar. Conhecer. Acrescentar, em si e no outro. Ser outro. Ser novo. Ser feliz. Conhecer alguém é algo sutil. Sublime. Simples. Sofisticado; Encontrar outra pessoa é que é mais complexo. Conhecer é perceber-se antiquado nos ideais de alguém. O quando você defere. O gosto que não é o seu. A música. A poesia. Encontrar alguém é algo maior. É perceber-se semelhante, em ideais e idéias. Palavras e Poemas.

Conhecer é frase feita.

Encontrar-se é silenciar e transmitir.

Conhecer é um sorriso do outro lado da rua.

Encontrar é atravessar a avenida com pulos de felicidade, para um abraço.

Conhecer é guaraná.

Encontrar é coca-cola.

Co-habitante, coadjuvante, é tudo papel para um conhecimento.

Cumplicidade, felicidade, saudade, protagonista: Isso é encontrar. É sentir no outro o quanto você é vivo. O quanto tudo o que é grande ou mesmo o que é pequeno, importa. O quanto é diferente ter você perto, fazendo parte, ser parte. Só se conhece meio. O encontro traz a metade para formar o todo.

A gente pode até conhecer partes maiores ou menores que a gente, o que não é ruim. Mas na medida, só se encontrar. Um mesmo propósito. Um mesmo sentido. Um novo motivo. Uma amizade.

Ruim é desencontrar. Se for o desencontro do encontro é ainda pior. Cair de bicicleta, bater a cabeça, prender o dedo na porta, dói. Entretanto, ver alguém partir e dizer adeus dói muito mais, machuca. Não doe como um corte, uma ferida... Doe na alma. No que há de mais profundo. Onde não se remedia. Não se toca. Onde aperta sem força e a gente chora sem ver. Diz o poeta que “Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem”. O poeta é tão estranho de vez em quando, não?! Brincar um pouco de fazer doer, não é normal para mim. Aliás, perder-me do meu encontro, de onde eu me “encontrei”, de você: seria demais. Não sei quais motivos me levam a citar desencontro neste escrito. Ou talvez, eu tenha inconscientemente, pensado em dizer o quanto eu sentiria caso desencontrasse-nos. Sei lá, possivelmente falando pela perda, levando por um velho drama, pode ser que dimensione melhor o quão triste eu seria se você não existisse. O quanto você importa. Significa.

Todo bom texto começa com uma definição do Aurélio. No Aurélio não tem o que eu procurava, assim, não posso citá-lo. Eu procurei em outras enciclopédias, idéias, pessoas e até encontrei algumas citações... Por exemplo, se Vinícius tivesse te conhecido ele certamente diria “Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto...”. (Pena dele por não ter ti conhecido. Rááh, Vinicius, morra inveja). Ainda citando minha busca, você seria o anjo que existe apenas por que a Clarisse Lispector acredita. O passarinho de Mário Quintana, uma rosa para o pequeno príncipe, um dos sentimentos de Drummond, Um santo de calça jeans para João Paulo II, o olhar para Paulinho Moska, um livro para a menina ladra, uma história sobre peixes grandes, um curinga...

Eu fui lendo, relendo, procurando, cansando... Shakespeare diz tanta coisa, que seria injusto mencionar uma citação só. Dos autores desconhecidos então, tem aos montes. Mas, para não me estender muito, eu termino concordando com Fernando pessoa, quando ele fala sobre o valor das coisas, a intensidade com que acontece e por isso existirem pessoas incomparáveis.

Mas quer saber o que realmente importa? O que eu encontro em mim, no caso, você! E isso em si já diz muita coisa. A vida é uma grande brincadeira, e é uma pena nem todo mundo estar tão distraído assim para perceber dessa forma. A vida é um mistério. E sobre mistérios não se devem falar.

O que me segura não é mais uma parede. É uma fortaleza!

Ps: Que sorte a minha ter me encontrado em você...

Maelson Dias



2 comentários:

.tai. disse...

Que lindo ^^

Gabriela Guimarães Cavalcanti disse...

Encontrar-se é silenciar e transmitir. Adorei.